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Meu Perfil
BRASIL, Homem, de 20 a 25 anos, Livros, Música
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30/05/2004 a 05/06/2004
23/05/2004 a 29/05/2004
16/05/2004 a 22/05/2004
09/05/2004 a 15/05/2004
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Balanço - Darcy Ribeiro
Nos últimos anos, pouco a pouco, no Brasil e no mundo, as ideologias políticas, os pendores revolucionários e os fervores religiosos tradicionais perderam o poder de atração sobre o povo.
Começaram, ao mesmo tempo, a difundir-se seitas e práticas místicas que, com o apelo a biorritmos, drogas, astrologia, dietas místicas e feitiçarias, orientam a vida de milhões de pessoas, devolvendo-lhes o equilíbrio emocional indispensável para enfrentar suas existências azarosas, mas desativando-as como protagonistas da história, como construtoras de seus próprios destinos.
O Brasil cresceu visivelmente nos últimos 80 anos.
Cresceu mal, porém. Cresceu como um boi mantido, desde bezerro, dentro de uma jaula de ferro.
Nossa jaula são as estruturas sociais medíocres, inscritas nas leis, para compor um país da pobreza na província mais bela da terra.
Sendo assim, no Brasil do futuro, a maioria da gente nascerá e viverá nas ruas, em fome canina e ignorância figadal, enquanto a minoria rica, com medo dos pobres, se recolherá em confortáveis campos de concentração, cercados de arame farpado e eletrificado.
Entretanto, é tão fácil nos livrarmos dessas teias, e tão necessário, que dói em nós... a nossa conivência culposa.
Sobre o(a) autor(a):
Grande educador e antropólogo de impacto mundial. Foi Ministro da Educação com pouco mais de 30 anos, Ministro Chefe da Casa Civil, vice-governador do Rio e senador. Foi imortalizado pela Academia Brasileira de Letras.
Escrito por Gilson M. Nery às 14h26
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Usem filtro Solar - Mary Schmich
Usem filtro solar. Se pudesse dar um conselho em relação ao futuro diria: "Usem filtro solar". Os benefícios, a longo prazo, do uso do filtro foram cientificamente comprovados. Os demais conselhos que dou baseiam-se unicamente em minha própria experiência. Eis aqui um conselho: Desfrute do poder e da beleza da juventude. Oh, esqueça! Você só vai compreender o poder e a beleza da juventude quando já tiverem desaparecido. Mas acreditem em mim. Dentro de vinte anos, você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você eram realmente fabulosas. Você não é tão gordo quanto você imagina. Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida são aqueles que nunca passaram por sua mente, tipo aqueles que tomam conta de você às quatro da tarde em alguma terça-feira ociosa. Todos os dias, faça alguma coisa que seja assustadora. Cante. Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação a você. Relaxe. Não perca tempo com inveja. Algumas vezes você ganha, algumas vezes você perde. A corrida é longa e, no final, tem que contar só com você. Lembre-se dos elogios que recebe. Esqueça os insultos. (Se conseguir fazer isso, me diga como.) Guarde suas cartas de amor. Jogue fora seus velhos extratos bancários. Estique-se. Não tenha sentimento de culpa se não sabe muito bem o que quer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas pessoas interessantes de 40 anos que conheço ainda não sabem. Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos. Você sentira falta deles quando não funcionarem mais. Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos 40, talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento. O que quer que faça, não se orgulhe nem se critique demais. Todas as suas escolhas tem 50% de chances de dar certo. Como as escolhas de todos os demais. Curta seu corpo da maneira que puder. Não tenha medo dele ou do que outras pessoas pensem dele. Ele é seu maior instrumento. Dance. Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar. Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga. Não leia revistas de beleza. A única coisa que elas fazem é mostrar você como uma pessoa feia. Saiba entender seus pais. Você nunca sabe a falta que vai sentir deles. Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com seu passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão. Entenda que amigos vão e vem, mas que há um punhado deles preciosos, que você tem que guardar com carinho. Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos da vida, porque quanto mais você envelhece tanto mais precisa das pessoas que conheceram você na juventude. More na cidade grande, mas mude-se antes que a cidade transforme você em uma pessoas dura. More no interior, mas mude-se antes de tornar-se uma pessoa muito mole. Viaje. Aceite certas verdades eternas: os preços sempre vão subir; os políticos são todos mulherengos; você também vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que quando você era jovem, os preços eram acessíveis, os políticos eram nobres de alma e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite as pessoas mais velhas. Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha uma aposentadoria. Talvez tenha se case com alguém rico. Mas, você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer. Não mexa muito em seu cabelo. Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta cinco. Tenha cuidado com as pessoas que dão conselho, mas seja paciente com elas. Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselhos é uma forma de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço maior do que realmente vale. Mas, acreditem em mim quando eu falo do filtro solar.
Escrito por Gilson M. Nery às 11h05
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História e Academia - Parte II
Ontem, durante o início de um seminário sobre mitos e mitologias políticas e a influência deles no desenvolvimento histórico e historiografico, que apresentei no PET/H (Programa de Ensino Tutorial de História), eu coloquei uma música muito bonitinha do Caetano Veloso - disco Livros - que se chama Alexandre. Essa música conta a história de Alexandre, o Grande de uma maneira deliciosa. O Prof. Pedro Tosi, tutor do PET, estabeleceu relações muito interessantes entre a música e o tema estudado, as quais, nem sequer haviam passado pela minha cabeça... Enfim, respondendo à questão que eu tinha colocado nesse blog na última mensagem, vou repetir, mais ou menos, o que eu disse na introdução do seminário, quando fiz minhas as palavras de Duby, enfatizando o prazer que o historiador ou o pretenso historiador deve ter em relação a história. Eu percebi, dias atrás, enquanto refletia sobre a minha vida e depois de ter lido "George Duby, o prazer da história", que a estrutura acadêmica, com todas as suas mazelas políticas e burocráticas, estava fazendo com que minha criatividade ficasse aprisionada, além de que, estava também obscurecendo o meu prazer pelo estudo da história. Então resolvi que iria me desprender um pouco desse sistema, interagindo dentro dele somente o necessário, gozando da minha liberdade da razão ao ler ou pensar sobre qualquer tema referente a história eu para que eu possa fazê-los realmente com prazer e não somente pela obrigação e pela necessidade deseperada por informação...rs... Quero ser como uma árvore que cresce lentamente para ter uma madeira resistente e não como aquela que, com a ânsia de crescer rapidamente, acaba por se tornar um ser fraco, com uma madeira de baixa qualidade. Portanto, pretendo estudar, viver e aprender história em pequenas doses, realizando um trabalho de formiga não esquecendo nunca de que devo sentir prazer por aquilo que faço. Assim, vou procurar sentir o mesmo prazer que eu sinto quando escuto ou toco alguma música ao ler ou refletir sobre História, um prazer quase alucinógeno, um prazer sobremaneira intenso e caloroso. Je t'aime la musique et je t'aime trop la histoire! Encontrei aquela poesia recitada pelo Bial. Ofereço ela para a minha mais nova colega Marina...
Escrito por Gilson M. Nery às 14h31
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História e Academia.
Ontem, enquanto lia um ensaio bibliográfico e biográfico sobre um historiador francês “medievalista” chamado Georges Duby, fiz algumas reflexões em relação ao que eu escolhi como profissão. Lembrei que foi aos 17 anos que decidi que seria historiador e professor de história. Durante o período de colegial e cursinho eu ficava encantado com os acontecimentos históricos e com os personagens que estiveram presentes nesses acontecimentos e que, de uma forma ou de outra, representaram o pensamento e as angústias vividas dentro de um ou outro contexto histórico.
Eu toco violão e sou apaixonado, principalmente, pela Música Popular Brasileira. Mas o que é a MPB? Pensar ela hoje é ter que aceitar todos os tipos de manifestações musicais populares, e é aí que nos deparamos com a cultura de massa, com a reprodução de estilos musicais exteriores... Bom, isso já se encaixa dentro de uma outra conversa...
O que importa dizer agora é que quando eu toco e canto uma música sinto todos os pêlos do meu corpo se eriçarem e apreendo, ainda que de maneira ainda um pouco imatura, a mensagem que ela – a música em sua totalidade: ritmo, timbre, tom, letra, poesia, etc - quer passar. Porém, sei que se eu entrasse em um curso de música de nível superior (Faculdade de Música) e passasse a ter que conceber a música dentro de uma estrutura acadêmica, talvez, ela perderia para mim esses significados que posso denominar como irracionais e subjetivos, perderia, muito provavelmente, o brilho, a mágica, a beleza e se tornaria algo mais técnico e menos improvisado e por que não dizer, algo chato e cansativo.
Mas o que a minha relação com a música tem a ver com a minha relação com a História?
...
Escrito por Gilson M. Nery às 12h43
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